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sexta-feira, 22 de março de 2013

Histórico: Paris Saint-Germain FC x FC Barcelona


Paris Saint-Germain e Barcelona farão dois dos jogos mais aguardados na Europa nesta temporada. Tanto é que todos os ingressos para a partida na capital francesa foram vendidos em menos de um dia.

Apesar de serem equipes com tradição distantes em relação à competições europeias, o confronto entre PSG e Barça mostra um grande equilíbrio. Mais tradicional, o Barça venceu apenas uma vez o adversário, justo em uma final de campeonato. Em compensação, o Paris eliminou o timaço catalão de uma Liga dos Campeões, com gol do brasileiro Raí. Confira o resumo dos três jogos oficiais entre Paris Saint-Germain e Barcelona.

Empate na Catalunha 

Era apenas a segunda participação do PSG na história da Champions League, mas os Rouge et Bleus faziam campanha fantástica, com seis vitórias em seis jogos na primeira fase (batendo inclusive o poderoso Bayern de Munique na Bavária). Comandados pelos brasileiros Raí e Valdo no meio, Lama na defesa, Weah e Ginola no ataque e Luis Fernandez no banco, o PSG conseguiu arrancar um empate contra o Barcelona do técnico Cruyff na Catalunha.



Após um primeiro tempo sem gols, o Barça abriu o placar em incrível gol contra do goleiro Bernard Lama, mas George Weah, artilheiro daquela edição da UCL, empatou de cabeça, após cobrança de falta de Valdo.

Raí e Guérin brilham em noite histórica 

O ambiente para o jogo de volta, em Paris, era de uma final. Com o Parc des Princes virando um caldeirão, a noite só poderia ser épica. Seja para qual lado fosse.

No primeiro tempo, o PSG acertou a trave três vezes, com Weah, Raí e Ginola (2x), mas o Barça também teve um gol incrível perdido por Begiristain. Na volta do intervalo, o Barcelona abriu o placar logo aos 50’, com Bakero, de cabeça. O gol desestabilizou um pouco o PSG e sua torcida, até Ginola acertar mais uma vez o travessão e inflamar os parisienes. Aos 73’, Raí (ainda com a camisa 5, já que a 10 era de Valdo) subiu mais alto do que a defesa catalã e empatou o jogo. Dez minutos depois, o Parc explodiu de vez quando Vincent Guérin acertou um chute de fora da área e virou para o PSG. Era a classificação do maior time da história do clube, acabando de vez com a era do Dream Team do Barcelona de Stoichkov, Hagi, Koeman, Guardiola e companhia.



*Curiosidade: O goleiro do Barcelona em ambos os jogos era Carles Busquets, pai do hoje meio-campista culé Sergio Busquets.

Revanche na Recopa com gol de Ronaldo 

Dois anos depois, as equipes voltaram a se enfrentar, desta vez em Roterdã, na final da Recopa. Atual campeão, o PSG era regido por Raí e Leonardo e defendia o título contra o Barcelona dos jovens Figo, Luis Enrique, De La Peña e Ronaldo, além dos experientes Guardiola e Stoichkov.

O Barça fez o único gol de jogo com Ronaldo, em cobrança de pênalti sofrido por ele mesmo em falta de Bruno N'Gotty. O PSG assustou o Barça na segunda etapa, com a bola na trave de Loko, mas os catalães responderam com Luis Figo acertando o poste duas vezes na mesma jogada, já no final do jogo. Vitória e título para o Barcelona.


Melhores Momentos


Jogo Completo - Detalhe para a trilha sonora de Guerra nas Estrelas que tocou antes do início da peleja

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Lucas e o peso da herança de Raí


Ídolos incontestáveis do São Paulo FC, que deixam o clube após um título continental para jogarem no Paris Saint-Germain cercados de grandes expectativas. As histórias de Raí e Lucas se combinam de forma poucas vezes vistas no futebol e cria mais um paralelo na ponte São Paulo-Paris.

Enquanto Raí chegou à França e ficou conhecido como “Roi” (Rei, em francês), Lucas chega com o aval do eterno camisa 10 de ambos os tricolores, sendo atéi destaque de um dos principais jornais franceses, o ‘L’Équipe’, chamado de “O Herdeiro de Raí” e “Messias”.

“O Herdeiro de Raí” – L’Équipe – 14/12/2012 

“Paris espera seu messias”, L’Équipe de 28/12/2012 

"Cheguei com 28 anos, tendo ganho um Mundial e duas Libertadores pelo São Paulo. Já era considerado um dos melhores do mundo. O Lucas chega para construir uma carreira lá e fez uma ótima escolha. O PSG está em um momento ambicioso, de querer novos títulos e ficar para a história", disse Raí ao site oficial do São Paulo FC.

Lucas sabe do peso da “herança”. Raí foi considerado, em 2010, como o segundo maior jogador da história dos 40 anos do PSG, ficando atrás apenas do português Pedro Miguel Pauleta. O antigo camisa 10 era o capitão e a maior estrela do principal momento da história dos parisienses até hoje. Depois de Raí, Souza chegou em 2008 com o peso de ser mais um camisa dez do São Paulo FC a vestir o mesmo número no PSG, mas fracassou.

Os estilos, dentro de campo, de Raí e Lucas se diferem completamente. Enquanto o “Terror do Morumbi” era um maestro, organizando o jogo à sua vontade e elegância, jogando sempre de cabeça erguida e um goleador, o Garoto de Ouro são-paulino faz um estilo mais dinâmico, com habilidade e força de arrancada impressionantes, capazes de desestruturarem qualquer defesa.

É óbvio que, com 20 anos, ainda faltam muitas coisas para Lucas aprender. Questões táticas, preenchimento de espaços, hora certa de drible, passe e chute, coisas naturais para um jovem profissional do futebol. Mas seu potencial é enorme.

"É um grande jogador, jovem, que vai ser o futuro do clube. Ele tem muitas qualidades e não terá nenhum problema para se entrosar com os outros jogadores, podendo atuar em diferentes posições. Estamos felizes, porque não foi fácil contratar um jogador tão importante", disse o experiente treinador Carlo Ancelotti, que mostrou ter acompanhado bem o jogador no Brasil. "Ele jogou de um lado (na ponta direita), às vezes atrás do atacante. Então pode jogar tanto de lado quanto atrás desse atacante", completou.

Lucas não deverá ser aproveitado como titular logo nesta temporada. Deverá usá-la como período de adaptação a um novo país e o PSG deve ter paciência com ele. Mas, a partir de 2013/2014, deverá brigar de igual a igual por uma vaga entre os principais parisienses e mostrar se é realmente digno da herança de Raí.



Imagens: Divulgação PSG/SPFC; Reprodução - L'Équipe

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Histórico do PSG na Liga dos Campeões da Europa



O Paris Saint-Germain FC conheceu seus adversários na fase de grupos da Liga dos Campeões 2012/2013 na tarde desta quinta-feira (30), em Mônaco. Esta será a 6ª participação do clube da capital francesa na história do torneio. Confira uma breve análise da história do PSG na competição:

1ª vez nada agradável

A primeira participação do PSG ocorreu na temporada 1986/1987, ainda na chamada Copa dos Campeões, logo após os Rouge Et Bleus ganharem o primeiro título francês de sua história. E a participação foi curta: o time foi caiu ainda nas eliminatórias, perdendo na República Tcheca para o FC Vitkovice por 1 a 0 e empatando em 2 a 2 no Parc des Princes




Com Raí e Weah, melhor participação

O PSG voltou à principal competição europeia em 1994/1995 e em grande estilo. Após ser bicampeão francês, o time de Raí, Ricardo Gomes, Valdo e George Weah (artilheiro da edição) fez sua melhor campanha até hoje na história do torneio. Na primeira fase, venceu os seis jogos que disputou, contra Dínamo de Kiev (adversário também em nesta temporada), Spartak Moscou e o poderoso Bayern de Munique. Nas quartas-de-final, superou o temido FC Barcelona, de Guardiola e Cia., empatando em 1 a 1 no Camp Nou e vencendo por 2 a 1 em Paris. O Tricolor Parisiense só foi parado nas semi-finais, com derrotas para o AC Milan por 1 a 0 em Paris e 2 a 0 em Milão.

Jogo lendário

Em 1998, a regra da competição mudou e não só os campeões nacionais participaram. Bom para o PSG, que fez dois jogos lendários na fase eliminatória. Perdeu para o Steaua Bucarest na Romênia por 3 a 0, mas reagiu com um incrível 5 a 0 no Parc des Princes, naquele que foi o último jogo de Leonardo com a camisa tricolor no estádio e uma noite fabulosa de Raí, que marcou três gols e deixou os parisienses em êxtase. Mas a sorte do time parou por aí, e o PSG foi eliminado na primeira fase, apesar de vencer quatro jogos, um deles contra o Bayern. Além dos alemães, o grupo também contava com Besiktas e Göteborg.

Goleada e Anelka não impedem queda

Três anos depois, a estrela do PSG era Nicolas Anelka, que havia retornado ao clube após passagens por Arsenal e Real Madrid. E o atacante francês anotou cinco gols no torneio, dois na goleada por 7 a 2 frente ao Rosenborg, a maior da história do torneio na época. Mas não foi o suficiente, já que o time também caiu na primeira fase.




Pauleta, Armand e "invencibilidade" contra o campeão

A última participação do Tricolor, até esta temporada, foi em 2004/2005. Em um grupo fortíssimo com Chelsea, CSKA Moscou e FC Porto – que seria o campeão – o time da capital francesa caiu também na primeira fase, apesar de vencer os portugueses por 2 a 0 em Paris e empatar sem gols em Portugal e na Inglaterra contra o Chelsea. As derrotas para o CSKA (0 a 2 e 3 a 1 no Parc) custaram caro demais para o time. Naquele elenco, já estava Sylvain Armand, que terá a oportunidade de fazer melhor campanha com o clube nesta temporada.

*ATUALIZADO COM A PARTICIPAÇÃO EM 2012/2013

Ótima campanha e eliminação sem derrota para o poderoso Barça

Em sua primeira participação como milionário, o PSG não decepcionou em 2012/2013. No Grupo A com FC Porto, Dínamo de Kiev e Dínamo Zagreb, o time se classificou em primeiro lugar com cinco vitórias e apenas uma derrota. Nas oitavas, venceu o Valencia na Espanha por 2-1 (em um dos melhores jogos do clube em sua história na UCL) e sofreu para empatar em 1-1 na volta, em casa. Nas quartas, pegou o poderoso FC Barcelona e empatou nos minutos finais por 2-2 no Parc, mas empatou também na Catalunha por 1-1 e foi eliminado pelo critérios dos gols marcados como visitante. Mesmo assim, deixou uma ótima impressão de já ser uma das principais forças do continente.

Imagens: Divulgação / PSG

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

“Quando consegui dormir, sonhei que estava fazendo o terceiro gol”

Via Asessoria de Imprensa- São Paulo FC

“Ser campeão mundial foi uma sensação tão surreal que, quando eu consegui dormir, sonhei que estava fazendo o terceiro gol. Não queria que acabasse nunca” (Raí, sobre a vitória contra o Barcelona no Mundial Interclubes de 1992)

Este ano, a primeira vitória do São Paulo em um Mundial Interclubes completa 20 anos. Em 1992 o time de Telê Santana conquistava Tóquio, com histórica vitória sobre o adversário mais temido da Europa e do mundo: o Barcelona. A final no Estádio Nacional de Tóquio rendeu ao craque da partida Raí também o título de melhor jogador em campo. Para ele, a final de 92 foi o jogo de sua vida, no qual ele marcou dois gols, o primeiro aos 27’ e o segundo na cobrança de falta aos 79’.

Outras jogadas sensacionais foram feitas durante a partida contra o time europeu, como a jogada de Muller que abriu a oportunidade de gol para Raí, e defesas extraordinárias de Zetti que seguraram a pontuação até o fim da partida.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Jogos históricos - FC Barcelona 1 x 2 São Paulo FC - Dentre os grandes, és o primeiro



A partir de hoje o Tabela Online começa com uma série que há muito tempo sonhava em fazer. São análises de jogos históricos, partidas, equipes e jogadores que viraram lendas no futebol. E para começar, nada melhor do que uma final de Mundial Interclubes do time que que é moda, o FC Barcelona, contra outro time brasileiro, só que com um final bem diferente. Era o Dream Team do Barça de Laudrup e Guardiola, chefiados por Johan Cruijff contra o São Paulo FC de Raí, Zetti e do maior técnico do futebol brasileiro, Mestre Telê Santana.

Táticas - Os embriões do futebol moderno

Para a minha surpresa, ao analisar os times em campo, percebi a disposição tática que é usada hoje em dia e tido como "nova". Enquanto o Barça jogava em um 3-4-3 muito parecido com o usado por Pep Guardiola hoje em dia, que encanta a todos, Telê dispôs o São Paulo em uma espécie de 4-2-3-1 que virou moda de 2009 para cá na Europa e, consequentemente, no mundo. Não é exagero dizer que estas duas equipes moldaram o que vemos de melhor no futebol atual.

O FC Barcelona apostava na segurança de Zubizarreta e em três zagueiros que saíam para jogar, Guardiola comandando o meio e a saída de bola, dois volantes com saída, um "camisa 10" para articular o meio ofensivo e chegar como falso 9 às vezes e dois pontas no ataque. Coincidência com o Barça de hoje em dia? Não creio.

Já o São Paulo FC se moldou para esta partida, em relação à equipe que havia ganho a Libertadores aquele ano. Se antigamente o time jogava no 4-4-2, agora o Tricolor de Mestre Telê havia mudado seu esquema para o 4-2-3-1, com Raí mais centralizado e com liberdade para encostar no ataque, Adilson passando de volante para zagueiro, Palhinha de atacante para meia, Cafu de lateral para meia e ainda os acréscimos de Vítor na lateral direita e o experiente Toninho Cerezo no meio, dando o toque de qualidade que faltava paa ajudar Raí na armação qualificada.

1º Tempo - Barça com mais posse, Sampa mais objetivo

O DNA que Johan Cruijff implantou no Barcelona e resiste até hoje era o de manter a posse de bola, girando até achar um espaço para entrar tocando na área adversária. Koenman era o líbero do time, mas quem comandava a orquestra era o jovem Gradiola, de 21 anos, e a lenda dinamarquesa Michael Laudrup, com Hristo Stoichkov, o maior jogador da história do futebol búlgaro na ponta esquerda. A troca de posicionamento em campo era algo comum neste time também. Com isso, o Barça dominou o início de jogo, contando ainda com um golaço de Stoichkov de fora da área aos 12.

Depois do gol, o São Paulo se acalmou e entrou mais no jogo. O Tricolor tinha um estilo também de toque de bola, mas era mais objetivo e vertical, quando tinha a bola ia sempre em direção ao gol. Muller ficava um pouco isolado na frente, mas usava a velocidade para partir pra cima, principalmente de Ferrer, que o marcava pela faixa esquerda. Em uma jogada destas, o camisa 7 "quebrou" Ferrer e cruzou para Raí entrar na área e, de cintura, empatar o jogo.

Ao contrário do que se vê hoje em se tratando de Mundial Interclubes, o clube sulamericano não ficou se defendendo e jogando no erro adversário. Pelo contrário, o São Paulo foi até ligeiramente melhor em campo, se impondo e jogando de igual para igual. Ronaldão era um monstro na zaga, não perdia uma e até deu um carrinho perigoso em cima de Stoichkov, que o deixou "miúdo" o resto do jogo. Cafu era boa opção pela ponta direita, enquanto o Barça dependia muito de Guardiola, já que Laudrup jogava muito avançado e pouco armava. Mesmo assim, o jogo era sensacional, a ponto de Ferrer e Ronaldo Luiz salvarem uma bola em cima da linha de cada lado. Muller quase fez um gol antológico de cobertura, se não fosse o zagueiro catalão.

2º Tempo - Raí decide!


Veio o segundo tempo e o jogo pegou mais fogo ainda. Ambas as equipes voltaram melhores e mais dispostas, com seus técnicos arrumando seus times no intervalo. Cruijff recuou Laudrup para armar o jogo e deu mais liberdade para o zagueiro Witschge avançar pela esquerda, em cima de Cafu.
Enquanto isso, o São Paulo tinha Ronaldo Luiz avançando mais pela lateral esquerda e Muller se movimentando mais na frente, segurando Koenman e Ferrer.

O jogo ainda era lá e cá, com o São Paulo mais objetivo em campo, até Palinha sofrer falta na entrada da área aos 34'. Em jogada ensaiada exaustivamente durante a temporada por Telê, Raí rolou, Cafu parou a bola e Raí mandou a redonda no ângulo de Zubizarretta, que nem se mexeu. Golaço!

Com o 2 a 1, Telê tirou o experiente Cerezo e colocou Dinho, para reforçar a marcação. Mas o Barça não ofereceu mais perigo, enquanto o São Paulo esteve muito perto de matar o jogo em contra-ataques, principalmente com a velocidade de Cafu. Mesmo estando no final de temporada e jogado mais de 90 (!) partidas no ano, o time do São Paulo estava muito mais inteiro fisicamente em campo do que o Barcelona. Grande parte disso se devia ao trabalho de Moracy Santana, preparador físico do time e braço direito de Telê.


Foi o primeiro título mundial do São Paulo FC, ganhado indiscutivelmente e com superioridade sobre o melhor time do momento na Europa e, até então, o maior time do gigante FC Barcelona em sua história. Mesmo Cruijff, que havia desdenhado do São Paulo em público anteriormente, chamando os jogadores de lentos e dizendo que o seu time era imbatível, se rendeu ao São Paulo FC e disse: "fomos atropelados por uma Ferrari". E foram. Para desespero de jogadores como Ferrer, que choraram no vestiário após o jogo. Para a alegria de um clube que, a partir daí, se tornava um Soberano e, dentre os grandes, o primeiro.



Imagens: Reprodução

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