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sexta-feira, 29 de junho de 2012

Torcerei por Balotelli na final da Euro-12


Quem me conhece, sabe da admiração que tenho por tudo o que envolve a França, ou pelo Barcelona de Xavi, Messi e Iniesta. Mas, nesta final da Euro-12, reconheço: torcerei por Mario Balotelli. Sem medo. Não me importo se a Itália ou a Espanha ganhar. Quero apenas que Balotelli brilhe e cale a boca dos imbecis.





Mario é italiano, mas filho de ganeses, como seu nome do meio – Barwuah – sugere. O pequeno garoto foi abandonado após o nascimento e cuidado pela equipe médica do hospital ao qual veio ao mundo até os dois anos de idade. Foi adotado então por uma família em Brescia e, de acordo com as leis locais, tornou-se cidadão italiano aos 18 anos.

Negro, abandonado, descendente de africanos pobres. O pequeno Mario conviveu com isso a vida inteira, talvez por isso tenha este estilo imprevisível, infantil e completamente louco. Mas um bom louco. Desde quando surgiu na Internazionale, torço o nariz para ele. O garoto joga muito, mas se acha demais. Causa muita encrenca, se mostra mascarado por muitas vezes e é irresponsável. Tudo o que odeio em um atleta. Mas, hoje, vejo um novo Mario.

Confesso que Mario ganhou meu respeito nesta Euro-12. Não pelos gols ou futebol jogado, pois isso eu já sabia que ele poderia fazer, ao vê-lo na Europa há quatro anos. Mas sim pela sua história e determinação. Mario é vaiado, xingado, achincalhado em todos os jogos pela torcida adversária – e muitas vezes até a sua. Mas dá a resposta ao seu jeito, da forma que a vida o ensinou.

Por isso, torcerei por ele. Para que cale a boca dos idiotas, estúpidos e frustrados. Torcerei até mais por ele do que pelo meu ídolo Xavi, da Espanha. Porque Mario merece. Pelo menos desta vez, Mario pode ser o avatar esportivo de algo muito maior do que uma vitória ou derrota.

                                         Balotelli abraçou a mãe após o jogo contra a Alemanha

Imagem: Reuters

domingo, 13 de maio de 2012

Superbia in Proelio: City prova que o futebol é a maior invenção do homem



Poucas vezes na vida presenciei momentos assim. No futebol europeu, menos ainda. De cabeça, posso citar a heroica virada nos acréscimos de uma Final de Champions League do Manchester United sobre o Bayern de Munique, em 1999 e o título do Liverpool em cima do Milan, em outra final de Champions, em 2005, após sair perdendo de 3 a 0 no primeiro tempo. Curiosamente, a terceira emoção que tive foi também com um esquadrão inglês. E foi com nenhum os dois times mais tradicionais da Terra da Rainha, mas sim com uma equipe que não conquistava o campeonato inglês desde 1968 e ainda teve de aturar seu maior rival se tornar o maior time do país no período.

O Manchester City já foi o time de maior torcida na cidade de Manchester. Identificado com a classe operária, o time caiu de importância e chegou a ser disputar a segunda e a terceira divisão e ver o United ganhar doze campeonatos ingleses e suas três Champions desde 68. Com a injeção de bilhões de xeques árabes - o atual é Mansour bin Zayed Al Nahyan- desde 2006, o City passou a fazer contratações e gastos escandalosos, mas só ganhou uma Copa da Inglaterra em 2011. Não era o bastante para tamanho investimento.

Em 2012, mais uma enxurrada de dinheiro foi gasto para o time disputar a Premier League e a Champions – este, após décadas fora. Vieram Nasri, Clichy e Agüero, para se juntarem a Tevez, Balotelli, Dzeko, Yaya Toure e outros. Fizeram 6 a 1 no United em pleno Old Trafford, lideraram por boa parte a Premier League, mesmo saindo na primeira fase da Champions, mas perderam a força e a liderança para o rival na reta final do Inglês. Faltando duas rodadas, recuperou a ponta ao bater os Diabos Vermelhos de novo, em casa, por 1 a 0. Daí para frente era “só” ganhar seus jogos restantes que o título viria, devido a vantagem no saldo de gols.

Parecia tarefa simples, mas não era. Venceu na penúltima rodada o Newcastle, fora de casa por 2 a 0, ambos os gols anotados por Yaya. No jogo final, teria de vencer o fraco Queens Park Ranges, que lutava para não cair. Em casa, o time tinha vencido 17 e empatado apenas 1 vez nesta temporada. Fez 1 a 0, com Zabaleta no primeiro tempo. Mas tomou a virada em contra-ataques com gols de Cissé e Mackie. Carlitos Tevez conseguiu cavar a expulsão de Barton, do QPR, mas a taça pareia que não sairia de Old Trafford. O City atacava com 10, enquanto o QPR defendia com 10 dentro da área. Os donos da casa ficavam a cada segundo mais impacientes e errando por nervosismo, com o goleiro adversário Kenny - que falhou feio no primeiro gol – fazer milagres atrás. Até Dzeko aproveitar escanteio de David Silva aos 46’ e recuperar a esperança. O United já comemrava em Sunderland, após vencer os donos da casa por 1 a 0. Mas o City tinha Mario Balotelli, que caindo no gramado deu o passe para o argentino Kun Agüero virar o jogo aos 49’.


Emoção, vitória e título. O tri do Manchester City, que tem no escudo o lema Superbia in Proelio, Orgulho em Batalha, em latim. Para a festa dos irmãos Gallagher, do Oasis, do técnico Roberto Mancini e da fanática torcida e dos amantes da emoção no esporte.



Imagens: Getty Images; Reuters; EFE

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